Eu com pena de mim
Não interessa se eu comecei a ouvir Bob Dylan com 23, se tem buracos na minha vida cultural que só uns 3 anos de intercâmbio nas principais capitais mundiais e mais um tour pelo meu próprio país poderiam preencher. Não interessa se eu como pizza de queijo bebendo ovomaltine, se eu amo um broto de bambu e qualhada no almoço, se eu fracassei na minha primeira dieta. Não interessa se sou orgulhosa demais para pedir ajuda, se sou teimosa demais para ouvir conselhos, se sou egoísta o suficiente para ajudar as pessoas que amo só quando o barco delas quase naufragou. Eu preciso ter o direito de fazer o que eu quiser dos meus sonhos e da minha vida, mesmo velha pra ser publicitária, mesmo jovem para ser escritora... e eu preciso de companhia, o que é difícil de admitir, embora todo mundo saiba que é impossível viver sozinho. Hoje eu estou com pena de mim, com tanta gente mais ferrada do que eu. É uma ansiedade por não sei o que e um medo de que mais coisas dêem errado. Mas isso é impossível se eu não estou tentando nada! Acho que eu posso sobreviver apenas ao meu próprio pessimismo... descobri que o alheio pode me derrubar.